Como o Laudax avalia o risco psicossocial
Usamos instrumentos científicos validados e os pontos de corte da literatura — não inventamos critérios. Tudo o que o sistema calcula está descrito aqui, com as fontes, e fica registrado em cada laudo para auditoria.
Em resumo
Os trabalhadores respondem um questionário validado, de forma anônima. O sistema calcula, para cada tema avaliado (dimensão), uma nota de 1 a 5 e a classifica em três faixas — favorável (verde), intermediário (amarelo) e desfavorável (vermelho). O responsável técnico interpreta os resultados à luz do trabalho real, escreve o parecer e assina. O cálculo é do sistema; a conclusão é do profissional.
1. Os instrumentos
COPSOQ II-Br (Copenhagen Psychosocial Questionnaire, Versão Média) — instrumento internacional para fatores psicossociais, validado para o português do Brasil. Cobre a organização do trabalho (demandas, controle, apoio, recompensas, relações, papel, mudança) e indicadores de saúde e bem-estar.
HSE Management Standards (Health and Safety Executive, Reino Unido) — ferramenta de gestão com 7 domínios. O HSE não publica pontos de corte de risco oficiais; por isso, quando ele é usado, a classificação por faixa de risco é uma adaptação metodológica declarada (veja a seção 6).
A escolha do instrumento é do responsável técnico, conforme o porte e a maturidade da empresa.
2. Como medimos cada dimensão
Cada dimensão é um conjunto de perguntas respondidas em escala de 1 a 5. Perguntas escritas no sentido inverso são revertidasno cálculo (1↔5, 2↔4, o 3 fica), para que "maior nota" signifique sempre a mesma coisa. A nota da dimensão é a média das respostas, de 1 a 5.
3. Como classificamos — os pontos de corte
A média de cada dimensão é dividida em três faixas, com os cortes consagrados no uso português e brasileiro do COPSOQ:
| Faixa | Média 1–5 | Risco |
|---|---|---|
| Favorável (verde) | 1,00 – 2,33 | baixo |
| Intermediário (amarelo) | 2,34 – 3,66 | médio |
| Desfavorável (vermelho) | 3,67 – 5,00 | alto |
Os cortes (2,33 e 3,66) são prática estabelecida da literatura — não dependem de amostra normativa e não foram definidos pelo Laudax. Cada laudo registra a versão da tabela de cortes aplicada.
4. O papel do responsável técnico
O sistema calcula e classifica; a análise é do profissional. O responsável técnico (RT) escreve o parecer de cada grupo à luz do trabalho real — a organização do setor, as condições concretas — e é o seu parecer que sai impresso e assina o laudo. Número sem o contexto do trabalho não sustenta uma fiscalização; por isso a interpretação é sempre humana.
5. Anonimato e LGPD
Nenhum dado pessoal é coletado na resposta — sem nome, sem CPF. Grupos com poucos respondentes não são exibidos isoladamente: são agregados em "Demais grupos", com a composição declarada, nunca suprimidos em silêncio, para impedir a reidentificação, em conformidade com a LGPD. O mínimo por grupo é decisão metodológica do RT, com piso absoluto de 5 respondentes.
6. Declaração de adaptação metodológica
A ferramenta oficial do HSE não publica pontos de corte, percentis ou classificação de risco — apresenta médias e comparação histórica da própria organização. Quando o HSE é usado, a classificação por faixas e o mapeamento para risco da NR-1 são adaptação metodológica do aplicador para o contexto brasileiro, declarada na seção de metodologia do laudo. Os resultados não devem ser apresentados como classificação oficial do HSE Management Standards.
7. O que fazer com o resultado
O laudo aponta onde está o risco e em que grau. Ele alimenta o inventário de risco do PGR (NR-1). Dimensões em risco alto demandam medidas de controle com responsável e prazo; a boa prática é tratar risco elevado em até 90 dias. O laudo é a base técnica para essas medidas — não o fim do processo, mas o começo do plano de ação.
8. Conformidade e responsabilidade
A divisão é clara: o sistema é responsável pelo cálculo padronizado e rastreável (médias, faixas, supressão estatística); o responsável técnico é responsável pela interpretação, pelas conclusões e pela assinatura. O laudo registra a versão do instrumento, da tabela de cortes, das regras de mapeamento e desta metodologia — e o selo de verificação de cada laudo aponta para a metodologia vigente na data de emissão. Esse encadeamento (instrumento versionado → cálculo declarado → parecer assinado) é o que sustenta o documento em auditoria e perícia.
9. Evolução da metodologia
As próximas versões da metodologia, em desenvolvimento, incorporarão (e serão publicadas aqui quando entrarem em produção):
- Prevalência por dimensão — além da média, a proporção de trabalhadores em cada faixa, para que uma média confortável não esconda um grupo em exposição desfavorável.
- Tradução para o GRO — Fatores de Risco Psicossociais (taxonomia do MTE), Probabilidade × Severidade e Prioridade, com os danos à saúde associados, declarados como adaptação.
Essas camadas só serão afirmadas nesta página quando estiverem efetivamente no laudo — não descrevemos o que o produto ainda não entrega.
Referências
- Kristensen, T. S. et al. The Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ).
- Silva, C. et al. Adaptação e validação do COPSOQ para o português do Brasil (COPSOQ-BR).
- Karasek, R.; Theorell, T. Healthy Work (modelo demanda-controle).
- Siegrist, J. Effort–Reward Imbalance model.
- ISO 45003:2021 — Psychological health and safety at work.
- Health and Safety Executive (HSE). Management Standards for work-related stress.
- Brasil. NR-01 / Portaria MTE nº 1.419/2024 (GRO/PGR; fatores de risco psicossociais). NR-17 (ergonomia).
Metodologia versão 1.0 · As versões aplicadas a cada laudo (instrumento, cortes, mapeamento) ficam registradas no próprio documento. Um produto do estúdio Rojão.